Poesias Declamadas
Após a apresentação de Tina Carvalho veio o pessoal da poesia: Chris Oliveira em dupla com Raphael Martins declamaram poemas de escritores que versam sobre a cidade-capital; depois Victor Quaranta recitou seu texto, preparado especialmente para a ocasião, sobre a identidade (ou não) de Brasília. Confiram os registros em foto e vídeo. Brasília congrega. Foi assim que aconteceu.
Chris e Raphael
Victor Quaranta 

Niki e eu: … e o Plano bateu asas e voou…
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Para fechar, Helyézer e Bandinha deram conta de cartuns e estêncils. O tapume na imagem abaixo contém interferências impressas com a imagem dos Guerreiros (os 2 Candangos); uma reflexão sobre a epopéia da construção.

*Fotografias de Gabriel Romeo e filmagem de Massimo Massaglia.
‘brasília, vê se toma uma atitude, pô’




se o congresso já precisava ser cancelado em 79, quem dirá agora… só implodindo mesmo.

do livro “Restos Vitais”, de Nicolas Behr, ps. 41, 42, 44, 50, 54
relações inconscientes
Em ‘Restos Vitais’, Nicolas reuniu seus 5 primeiros livros mimeografados, lá dos anos 70. Muito da poesia que ele produziu e que muito me influenciou foi produzida nesse período: a cidade de grandes espaços vazios, repetitiva, uma cidade-solidão era um de seus temas.
Fiquei surpresa em encontrar o poema abaixo disposto dessa maneira nas páginas dessa coletânea. Não sei se nos livrinhos originais foi feito da mesma forma, mas é interessante que para representar os espaços enormes e sem viva alma, produzi uma gravura similar a esse poema. Nós dois deixamos um grande espaço na folha de papel para evidenciar esse sentimento de vazio.
É maravilhoso identificar essas conexões! Como pode Nicolas, através da palavra e da visualidade, pensar nisso nos anos 70 e eu chegar à mesma solução com a gravura 30 anos depois? Deve ser porque Brasília aprendeu a falar. É uma cidade com o dom da comunicação. É capaz de contar tudo sobre ela mesma a todo aquele que ali chega e permanece por algum tempo.

nicolas bher, 1977

vazios urbanos – da série brasília gravada – manoela afonso, 2006 – gravura exposta na 3a. bienal olho latino. técnica: carimbo de borracha. papel: 39×27cm. mancha gráfica: 13,5×6cm. o módulo utilizado nesta gravura foi feito com base no desenho da catedral de brasília. o vazio que senti nos primeiros meses em que vivi na cidade me proporcionou não só angústia e estranhamento, mas também a sensação de estar diante da grandiosidade do encontro do horizonte do planalto com o céu imenso. aqui, o vazio gera também introspecção, meditação, quase como no interior solitário dos templos… talvez brasília tenha sido, um dia, tão silenciosa quanto uma catedral.



