Convergências
“Quando se faz da fórmula Pensar com Arte um local de experiência, quando os dois termos são inter-relacionados enquanto matérias constitutivas de um processo, o primeiro desafio é uma proximidade máxima de quem as experencia, na impossibilidade de estabelecer distâncias que possam dar conta – através de um processo produtivo qualquer, obra de arte, texto, relato, etc – do envolvimento exigido. Assim, características da experiência como internalidade e proximidade máxima são contrapostas a um jogo disjuntivo, provocando a abertura e conexão com um lado de fora. Esta abertura não se processa sem o engajamento com os vetores da criação e da invenção, indicando um necessário envolvimento em direção ao novo, à transformação. Acreditamos na necessidade de tal operacionalidade enquanto indicadora dos traços constitutivos da produção de movimento, da instauração de processos, de um funcionamento que vise à problematização do e intervenção no entorno, enquanto ativação do ambiente”.
BASBAUM, Ricardo. Além da pureza visual – p. 60
O lado de fora
“A dificuldade em estabelecer de maneira adequada a qualidade de relação que se está buscando aqui reside, sem dúvida, na exigência em articular os termos Pensamento e Arte enquanto matérias em movimento, com a potencialidade de um acontecimento – implicações derivadas do engajamento no processo de uma experiência. Como arrancar algo de produtivo – seja texto, seja trabalho de arte – a partir do mergulho na experiência mesma, com seu turbilhão de envolvimento na imediaticidade do que está a ocorrer? E mais, como garantir a legitimidade destes produtos, enquanto algo que autonomize-se, desenvolva uma consistência própria, para além do sujeito da experiência?”
BASBAUM, Ricardo. Além da Pureza Visual – p. 52