pensar a poética
“Situando-se a meio caminho entre a vida vivida e a abstração conceitual, as formas artísticas visam a significar esse nosso contato carnal com a realidade, e a sua apreensão opera-se bem mais através de nossa sensibilidade do que via o intelecto. A arte não estabelece verdades gerais, conceituais, nem pretende discorrer sobre classes de eventos e fenômenos. Antes, busca apresentar situações humanas particulares nas quais esta ou aquela forma de estar no mundo surgem simbolizadas e intensificadas perante nós. Como anota o poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, ‘…a significação poética não é da mesma natureza que, por exemplo, a significação matemática ou filosófica. A significação poética nunca alcança o nível de abstração e generalidade que aquelas alcançam. Ela se nega a tornar-se conceito, lei ou princípio teórico. A poesia, a arte, é um tipo de realização intelectual que se situa entre a experiência direta do mundo e a formulação conceitual abstrata: o artista rejeita a experiência imediata do real, na medida em que a transforma em linguagem, mas também rejeita a sua transformação em conceito abstrato porque deseja preservá-la como vivência individual e afetiva’.
A se comentar, neste excerto, tão-só que ao qualificar a arte como uma ‘realização intelectual’ o poeta certamente não tem em mente o mesmo tipo de intelectualidade exigida pela matemática ou a filosofia, como se depreende de sua argumentação. Parece que o substrato intelectual contido na realização artística implica numa inteligência humana bem maior que a simples racionalidade abstrata; supõe, sim, um nível de compreensão ‘total’, digamos assim, em que se apreende o signo estético com o corpo inteiro e não apenas instrumento para a educação do sensível, levando-nos não apenas a descobrir formas até então inusitadas de sentir e perceber o mundo, como também desenvolvendo e acurando os nossos sentimentos e percepções acerca da realidade vivida”.
Duarte Jr., João Francisco. O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível. Curitiba: Criar, 2001. p. 23
- Talvez por isso seja tão difícil – talvez impossível – definir um método para a pesquisa em arte dentro da universidade. Não tem como estabelecer parâmetros rígidos para o fazer artístico, pois cada artista-pesquisador tende a criar seu próprio método e a utilizar seus próprios referenciais – nem sempre apenas teóricos. Coisas para se pensar…
Manoelaaaaaaaaaaaaaaaaa!
estou dando aula na FAP e hjh trabalhei e-xa-ta-men-te esse assunto com meus alunos!!! a disciplina é pesquisa em teatrro e hjj abordei as dificuldades metodológicas e epistemológicas na pesquisa em artes!
caraca!
me permita imprimir esse post e levá-lo à sala de aula semana que vem?
beijo, beiJO, BEIJO!
a citação do Gular é de qual obra?
è isso aí, apoiada…
mas olha, não penso isso na arte especificamente, penso tb nessa possibilidade em história, filosofia….
enfim… sem palavras