…e para não dizer que não falei das cigarras…
Quando cheguei, em 12/10/03, fui recepcionada pelo coro das cigarras. Recebi esse presente com um sentimento de nostalgia, saudade de não-sei-quê, talvez pela atmosfera bucólica causada pelo canto intenso que celebra a vida, a reprodução. Mais sobre as cigarras de Brasília: http://www.correioweb.com.br/noticias/materias.php?id=2687697&sub=Distrito
Poesias Declamadas
Após a apresentação de Tina Carvalho veio o pessoal da poesia: Chris Oliveira em dupla com Raphael Martins declamaram poemas de escritores que versam sobre a cidade-capital; depois Victor Quaranta recitou seu texto, preparado especialmente para a ocasião, sobre a identidade (ou não) de Brasília. Confiram os registros em foto e vídeo. Brasília congrega. Foi assim que aconteceu.
Chris e Raphael
Victor Quaranta 

Niki e eu: … e o Plano bateu asas e voou…
—
—


—
Para fechar, Helyézer e Bandinha deram conta de cartuns e estêncils. O tapume na imagem abaixo contém interferências impressas com a imagem dos Guerreiros (os 2 Candangos); uma reflexão sobre a epopéia da construção.

*Fotografias de Gabriel Romeo e filmagem de Massimo Massaglia.
O meu nome é Candango – por Marmota (Clown de Tina Carvalho)
Minha amiga querida, artista, atriz, punk, clown, Marmota: Tina Carvalho. Essa menina me surpreendeu com esse belíssimo trabalho, especialmente pensado para a abertura dessa exposição. Ela pensou a sua Brasília e passou seu recado lindamente… “Onde fica o Núcleo Bandeirante?” – eu demorei para saber. É engraçado… o que expus nessa mostra já é uma visão do passado. Brasília, em 2005, já começava a mostrar seus interstícios para mim. Eu comecei a perceber de onde brotava a vida naquela simetria, naquele ritmo, em seus blocos, blocos, blocos… a sua gente é altamente subversiva, pois precisa modificar a concretude tombada, “imexível” (que político usou esse termo mesmo?). Enfim, é uma grande satisfação rever com outros olhos esses momentos preciosos de dois anos atrás… todos convidados a pensarem a sua Brasília.
—



*Fotografias de Gabriel Romeo e filmagem de Massimo Massaglia.
Roma e Brasília – por Francesca Felici

Depois da performance do Thiago, foi a vez de Francesca Felici falar sobre Roma e Brasília. Ela já mora há alguns anos na nossa capital e, pelo que pude perceber, gosta muito. É sempre interessante ouvir as impressões que Brasília deixa naqueles que vieram de outros cantos. É natural que comparemos o novo lugar com os nossos referenciais que, na maioria das vezes, estão na cidade onde nascemos. No caso de Francesca, o ponto de comparação é Roma. No meu caso, é Curitiba. E assim Brasília vai gerando mapas mentais multifacetados. Logo abaixo estão algumas imagens de Roma e Brasília que fizeram parte do livro de visitas, assim como o texto de Francesca em vídeo.





*Fotografia de Gabriel Romeo e filmagem de Massimo Massaglia.
Performance de Thiago Jorge na abertura da exposição Brasília Gravada – 2005

Brasília, de início, causou-me estranhamentos os mais diversos. Ao caminhar pela cidade nas primeiras semanas, fui da maravilha ao pavor, e vice-versa, inúmeras vezes. Eu andava e andava e pensava, inconformada: “Como as pessoas conseguem viver aqui, num lugar sem praças, sem o aconchego das ruas estreitas, sem artistas de rua, sem cafés nas esquinas, em prédios todos ‘iguais’?” – ao vasculhar a história da cidade, percebi que muitas pessoas já haviam se perguntado coisas semelhantes.
Nessa época eu andava muito em linha reta pela W3. Andava até desembocar no ponto central do avião, onde os eixos se cruzam. Fazia isso só para sentir, diversas vezes, aquela sensação de “amplitude-surpresa”, de imensidão aterradora ao olhar o horizonte lá longe. Essa era minha tática de acabar com a monotonia, com aquela sensação de que eu estava andando sempre no mesmo lugar – os monumentos arquitetônicos me davam uma espécie de susto-estético; os grandes ‘vazios’ eram espaços de “respiro” que me tiravam do transe do “andar em linha reta” entre blocos da mesma altura.

Era tudo tão imenso…
Digo “era”, assim no passado, porque hoje me habituei um pouco à sedução monumental da cidade, no que diz respeito aos seus aspectos urbanísticos e arquitetônicos. Vejo outras monumentalidades agora: a produção artística de jovens do Plano Piloto e do entorno.


No dia da abertura da exposição Brasília Gravada, convidei jovens amigos artistas para participarem com suas produções. As imagens desse post são da performance de Thiago Jorge: Puta de Judeus, do poema do dramaturgo Bertolt Brecht, a qual abriu a exposição.
O seu andar em círculo, passando pelos suportes das gravuras, transportou-me para aquelas primeiras sensações do perambular em Brasília.
—
*Fotografias de Gabriel Romeo e filmagem de Massimo Massaglia.