memórias de uma dissertação

Convergências

Posted in Uncategorized by manoelaafonso on 29 June 2008

“Quando se faz da fórmula Pensar com Arte um local de experiência, quando os dois termos são inter-relacionados enquanto matérias constitutivas de um processo, o primeiro desafio é uma proximidade máxima de quem as experencia, na impossibilidade de estabelecer distâncias que possam dar conta – através de um processo produtivo qualquer, obra de arte, texto, relato, etc – do envolvimento exigido. Assim, características da experiência como internalidade e proximidade máxima são contrapostas a um jogo disjuntivo, provocando a abertura e conexão com um lado de fora. Esta abertura não se processa sem o engajamento com os vetores da criação e da invenção, indicando um necessário envolvimento em direção ao novo, à transformação. Acreditamos na necessidade de tal operacionalidade enquanto indicadora dos traços constitutivos da produção de movimento, da instauração de processos, de um funcionamento que vise à problematização do e intervenção no entorno, enquanto ativação do ambiente”.

BASBAUM, Ricardo. Além da pureza visual – p. 60

O lado de fora

Posted in Arte e Pesquisa Acadêmica by manoelaafonso on 29 June 2008

“A dificuldade em estabelecer de maneira adequada a qualidade de relação que se está buscando aqui reside, sem dúvida, na exigência em articular os termos Pensamento e Arte enquanto matérias em movimento, com a potencialidade de um acontecimento – implicações derivadas do engajamento no processo de uma experiência. Como arrancar algo de produtivo – seja texto, seja trabalho de arte – a partir do mergulho na experiência mesma, com seu turbilhão de envolvimento na imediaticidade do que está a ocorrer? E mais, como garantir a legitimidade destes produtos, enquanto algo que autonomize-se, desenvolva uma consistência própria, para além do sujeito da experiência?”

BASBAUM, Ricardo. Além da Pureza Visual – p. 52

para constar

Posted in Arte e Pesquisa Acadêmica by manoelaafonso on 29 March 2008

 

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pensar a poética

Posted in Arte e Pesquisa Acadêmica by manoelaafonso on 11 March 2008

“Situando-se a meio caminho entre a vida vivida e a abstração conceitual, as formas artísticas visam a significar esse nosso contato carnal com a realidade, e a sua apreensão opera-se bem mais através de nossa sensibilidade do que via o intelecto. A arte não estabelece verdades gerais, conceituais, nem pretende discorrer sobre classes de eventos e fenômenos. Antes, busca apresentar situações humanas particulares nas quais esta ou aquela forma de estar no mundo surgem simbolizadas e intensificadas perante nós. Como anota o poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, ‘…a significação poética não é da mesma natureza que, por exemplo, a significação matemática ou filosófica. A significação poética nunca alcança o nível de abstração e generalidade que aquelas alcançam. Ela se nega a tornar-se conceito, lei ou princípio teórico. A poesia, a arte, é um tipo de realização intelectual que se situa entre a experiência direta do mundo e a formulação conceitual abstrata: o artista rejeita a experiência imediata do real, na medida em que a transforma em linguagem, mas também rejeita a sua transformação em conceito abstrato porque deseja preservá-la como vivência individual e afetiva’.
A se comentar, neste excerto, tão-só que ao qualificar a arte como uma ‘realização intelectual’ o poeta certamente não tem em mente o mesmo tipo de intelectualidade exigida pela matemática ou a filosofia, como se depreende de sua argumentação. Parece que o substrato intelectual contido na realização artística implica numa inteligência humana bem maior que a simples racionalidade abstrata; supõe, sim, um nível de compreensão ‘total’, digamos assim, em que se apreende o signo estético com o corpo inteiro e não apenas instrumento para a educação do sensível, levando-nos não apenas a descobrir formas até então inusitadas de sentir e perceber o mundo, como também desenvolvendo e acurando os nossos sentimentos e percepções acerca da realidade vivida”.

Duarte Jr., João Francisco. O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível. Curitiba: Criar, 2001. p. 23 

 

- Talvez por isso seja tão difícil – talvez impossível – definir um método para a pesquisa em arte dentro da universidade. Não tem como estabelecer parâmetros rígidos para o fazer artístico, pois cada artista-pesquisador tende a criar seu próprio método e a utilizar seus próprios referenciais – nem sempre apenas teóricos. Coisas para se pensar…

as relações com o espaço

Posted in A cidade by manoelaafonso on 1 March 2008

“Experiência quase que primeva, na necessária recorrência e constante atualidade, a percepção do espaço não é restrita a individualidades e nem mesmo a certas culturas. Através de nossa sensação de estarmos contidos num espaço e de o contermos dentro de nós, de o ocuparmos e o transpormos, de nele nos desequilibrarmos e reequilibrarmos para viver, o espaço é vivência básica para todos os seres humanos. Além disso, o espaço constitui o único mediador que temos entre nossa experiência subjetiva e a conscientização dessa experiência. Tudo aquilo que nos afeta intimamente em termos de vida precisa assumir uma imagem espacial para poder chegar ao nosso consciente. E do mesmo modo, tudo o que queremos comunicar sobre valores de vida traduzimos em imagens de espaço”.

Ostrower, 1991, p. 30.